11.1. Confiança no governo

Define-se confiança como a crença de que uma pessoa ou instituição agirá em conformidade com suas expectativas de comportamento positivo (OCDE, 2017a). A confiança é um dos fundamentos mais importantes sobre os quais se constrói a legitimidade e a sustentabilidade do sistema político, sendo crucial para garantir o respeito às regulações e ao sistema tributário. A confiança no governo é essencial para a coesão e o bem-estar social, pois afeta a capacidade do governo de implementar reformas. É, portanto, necessária ao funcionamento justo e efetivo das instituições públicas. Há consenso na bibliografia acadêmica de que a confiança influencia o relacionamento da população com seu governo e tem repercussão nos resultados das políticas públicas (OCDE, 2017b).

Atualmente, a fonte disponível mais completa, com dados internacionalmente comparáveis sobre confiança, é a Pesquisa Mundial Gallup, que cobre a América Latina e o Caribe (ALC) e os países da OCDE. Em média, os níveis de confiança na ALC chegaram a 33,9% em 2018, 4,4 pontos percentuais (p.p.) a menos que em 2007 e abaixo da média de 45% da OCDE. Os países da ALC com maior confiança no governo são Costa Rica (48%), Guatemala (46%) e Paraguai (46%). No outro extremo, a confiança é menor na Argentina (26%), Venezuela (24%) e Brasil (17%). De 2007 a 2018, o maior aumento da confiança ocorreu no Paraguai (29 p.p.), no Equador (28 p.p.) e na Jamaica (17 p.p.), e a maior redução na Venezuela (39 p.p.), no Uruguai (25 p.p.) e na Colômbia (24 p.p.) .

A confiança também varia entre as gerações na ALC. Apenas 33,1% das pessoas de 15 a 29 anos relataram confiar no governo, em comparação com 40,1% das pessoas de 50 anos ou mais, uma diferença média estatisticamente significativa. Embora existam diferenças entre essas faixas etárias em alguns países da OCDE, em média elas não são estatisticamente significativas. Em 2018, as maiores diferenças nos níveis de confiança entre a faixa etária de mais idade e a mais nova na ALC foram observadas no Chile (23 p.p.), na Venezuela (21 p.p.), na Costa Rica (14 p.p.) e na Colômbia (14 p.p.). Os jovens nos países da ALC tendem a ter um nível educacional superior ao de seus pais e mais acesso a novas tecnologias e informações, fatores que contribuem para moldar expectativas mais altas e aumentar a demanda em relação aos governos.

As medidas de confiança no governo oferecem indicações a respeito do atual relacionamento da sociedade com suas instituições. Também podem ser interpretadas como uma avaliação do trabalho do governo e da condução dos assuntos públicos, podendo ainda ser preditoras de agitação social. No entanto, a confiança é influenciada por um grande conjunto de fatores, entre eles a aprovação dos líderes. Além disso, de acordo com a bibliografia acadêmica, outros fatores, como a integridade do setor público, o nível de abertura do governo, a qualidade dos serviços e a percepção de equidade também podem desempenhar um papel nos níveis de confiança declarados (OCDE, 2017b). Para entender melhor os determinantes da confiança, é preciso decompor sua multidimensionalidade. Consequentemente, é necessário contar com uma medição refinada da confiança no governo e nas instituições públicas, bem como de seus determinantes, a fim de permitir que os governos proponham e ajustem ações para recuperar a confiança dos cidadãos.

Leitura complementar

González, S. e C. Smith (2017). “The accuracy of measures of institutional trust in household surveys: Evidence from the OECD Trust Database”. OECD Statistics Working Papers, n.o 2017/11. OECD Publishing, Paris, https://doi.org/10.1787/d839bd50-en.

OCDE (2017a). OECD Guidelines on Measuring Trust. OECD Publishing, Paris, https://doi.org/10.1787/9789264278219-en.

OCDE (2017b). Trust and Public Policy: How Better Governance Can Help Rebuild Public Trust. OECD Publishing, Paris, https://doi.org/10.1787/9789264268920-en.

Notas às figuras

11.1. Os dados referem-se à porcentagem de pessoas que respondeu “sim” à pergunta “Você confia em seu governo nacional?” Os dados da Jamaica, do Peru e de Trinidad e Tobago são de 2017, não de 2018. Os dados do Equador, do Haiti, da Jamaica, do Panamá e de Trinidad e Tobago são de 2006, não de 2007.

11.2. Os dados da Jamaica e de Trinidad e Tobago são de 2017, não de 2018.

11.3. Os dados sobre a aprovação dos líderes nacionais representam a porcentagem de respostas “aprovo” para a pergunta: “Você aprova ou desaprova o desempenho dos líderes deste país?” Os dados do Paraguai são de 2017, não de 2018.

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